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  Ano IX - Macau-RN, 01 a 15 de abril de 2004
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:. Ciência e Tecnologia

Grupo de São Carlos trabalha em prótese de mão eletrônica

Tecnologia utilizada na prótese da EESC é considerada uma das mais desenvolvidas no mundo. Dentre as propriedades da prótese, destaca-se a de simular o tato, informando ao seu portador sensações como o calor "Das próteses que já existem, nenhuma une tantos movimentos e outros tipos de funções e ao mesmo tempo é tão parecida com a mão natural"

Pesquisadores do Laboratório de Biocibernética e Engenharia de Reabilitação (Labciber), da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, estão desenvolvendo uma prótese de mão eletrônica que deverá estar entre as mais avançadas do mundo. "Das que já existem, nenhuma une tantos movimentos e outros tipos de funções sendo, ao mesmo tempo, tão parecida com a mão natural", explica Fransérgio Leite da Cunha, pesquisador envolvido no projeto que deve terminar em 2005.

"A prótese nada mais é do que um robô, encaixada em um braço parcialmente amputado e que responde a comandos do paciente", diz Cunha. A "Mão de São Carlos", como será chamada, deverá captar sinais elétricos dos músculos do usuário e interpretá-los, para então se movimentar. "Nos casos convencionais, a pessoa precisa treinar para comandar o aparelho. Agora, a mão é que será programada para reconhecer os sinais de cada um".

O aparelho deverá informar ao usuário sobre a temperatura e a força aplicada aos objetos. Dispositivos aplicarão sinais táteis no braço natural, causando variações de calor e pressão, proporcionais às condições da prótese. Os sensores de calor e deslizamento irão ordenar movimentos automaticamente, para evitar danos e queda de objetos, imitando o arco-reflexo humano. Caso queira, o usuário também poderá contrariar a essas ordens, por exemplo para segurar um objeto em chamas e evitar um incêndio, mesmo destruindo a mão.

A cobertura do instrumento será feita de borracha, imitando a pele. Quanto aos movimentos, poderá abrir e se fechar de três formas diferentes: como uma "garra de força" (punho cerrado, que se usa por exemplo para pegar um martelo); a "pinça tri-digital" (união do polegar com os dedos indicador e médio, para escrever) e a "pinça lateral" (polegar ao lado do indicador dobrado, como se faz para pegar um cartão de crédito).

"Estamos construindo um aparelho com muitos motores e sensores integrados, que precisa ter um custo acessível, ser leve, com a mesma aparência e funções de uma mão natural", diz Cunha. A prótese terá três dedos funcionais e dois de função estética. "Percebemos que com esses dedos e movimentos conseguíamos cumprir grande parte das funções estáticas, o que nos poupou muito trabalho. A mão é uma parte exposta e muito importante. Se a prótese chama a atenção ou funciona mal, as pessoas desistem".

15 respostas

O desenvolvimento da "Mão de São Carlos" foi proposto no doutoramento de Fransérgio Cunha, obtido em 2002. Na ocasião, o pesquisador selecionou e desenvolveu componentes que serviriam para o aparelho. Atualmente, os dedos e a palma da prótese estão sendo construídos e, até o final do ano, espera-se obter um protótipo de bancada da mão inteira. Os testes com pacientes deverão ser feitos a partir do início de 2005.

O Labciber pesquisa aplicações de engenharia na área de saúde, voltadas para reabilitação. Conta com profissionais de várias áreas, como engenheiros, fisioterapeutas, psicólogos e terapeutas ocupacionais. No início do desenvolvimento da prótese, o grupo pesquisou, via internet, as características e necessidades das pessoas que tiveram braços amputados, por todo o Brasil. "Temos pouquíssimos dados. De milhares de e-mails que enviamos a centros de reabilitação, recebemos cerca de 15 respostas", diz Cunha. Os interessados podem colaborar através do site do pesquisador.